‘A Invenção de Hugo Cabret’

Feb 25

Você já deve ter assistido grandes filmes de Martin Scorsese. Taxi Driver, Touro Indomável, Cabo do Medo, Os Bons Companheiros, Os Infiltrados, A Ilha do Medo, e por aí vai. Em A Invenção de Hugo Cabret, o diretor se joga no cinema infanto-juvenil, com um filme que tem muito a ensinar pros seus fãs adultos.

Hugo é um garoto órfão que mora nas engrenagens do relógio de uma estação de trem, na linda Paris dos anos 30.  A única herança de seu pai foi um autômato quebrado, que Hugo passava os dias tentando consertar. Acreditando que havia algo naquele robô que sabia escrever, Hugo vai à procura de respostas e acaba adentrando no fantástico cinema de Georges Méliès. Georges, que era mágico, é considerado o pai da ficção científica com seu filme Viagem à Lua (1902), que você pode ver inteirinho no YouTube.

Além de ser uma linda homenagem à História do Cinema (com a exibição de curtas de Georges e inúmeras referências em imagens e diálogos), Hugo Cabret foi feito com muito cuidado e respeito a seu público. A fotografia é linda e por vezes me fez achar que era uma animação. O elenco é ótimo e cumpre bem seu papel, a exemplo de Asa Butterfield (‘O Menino do Pijama Listrado’) que deu vida ao protagonista e Sacha Baron Cohen (‘Borat’) como o inspetor que persegue o garoto. A música ajuda a compor o clima enigmático do filme, estando presente nos momentos certos.

Ademais, Hugo Cabret também me fez pensar sobre propósitos. De um lado, o vendedor de brinquedos da estação de trem que preferiu enterrar seus sonhos e esquecer seu passado. Do outro, um jovem garoto que sabia que tinha um papel a ser cumprido, quando, observando as luzes de Paris de cima do relógio, disse:

Eu imaginava o mundo inteiro como uma grande máquina. Máquinas nunca vêm com todas as peças extras, você sabe. Eles sempre vêm com a quantidade exata de que necessitam. Então percebi que, se o mundo inteiro era uma grande máquina, eu não poderia ser uma parte extra. Eu tive que ficar aqui por algum motivo.

Está certo, Hugo. Está certo.

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